segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quem controla quem, estado e economia.

Ato 1


A mão invisível reguladora do mercado até pode existir, mas mostra o dedo do meio pra sociedade.



 O propósito de um sistema econômico é  produzir mais com menos, ou seja, economizar. É justamente na direção contraria que as grandes empresas e todo nosso sistema se apóia, a falta de economia é proposital com a obsolência programada. Esgota-se recurso a troco de crescimento, nada mais importa, esse é o objetivo inicial e final.

Uma empresa deve crescer pra sempre? Quanto é suficiente? 500 milhões ou 10 bilhões, qual a real diferença?

Ato 2


Empresas são entidades com direito a propriedade e conta bancaria, podemos falar que o setor de rh tomou a decisão e não a Patricia e seus assessores. O problema é que essa pessoa jurídica não liga pra nada, não possui senso ético e moral, todo seu objetivo é o crescimento e lucro

Uma empresa não da a mínima caso seu produto mate 6 milhões de pessoas por ano. Também pouco importa se esta infringindo uma lei ou causando malefícios ao seu usuários, tudo que é preciso ser levado em cota é o jogo probabilístico do valor da multa, chances de ser descoberto e lucro em potencial, se a multa vale o risco, dane-se a consequência social. Um CEO de uma grande siderúrgica  ate pode se preocupar com os problemas ambientais, mas e seus acionistas?


Ato 3


Quando um jovem americano parte em missão ao Iraque vai defender seu estado e valores ou defender o interesse das empresas petrolíferas? O que podemos dizer quando a FIFA chega no brasil e passa por cima de suas leis ?

Muitas multinacionais são maiores que países inteiros, dinheiro é poder. A lei não se aplica a essas grandes empresas, na verdade a legislação e o estado são instrumentos das corporações. Não adianta cobrarmos ética dos políticos, pois político ético não sobe ao poder. Campanhas multimilionárias são investimentos, patrocínio político legal.  Não se vota em candidato A ou B, não adianta, temos algo maior por trás.

Parece-me ser a única saída: Ou o estado controla a economia ou a economia controla o estado.


O documentário 


Não me acho apto a discorrer profundamente sobre o tema, o objetivo do tópico é levantar questionamentos e principalmente apresentar esse documentário:







Tréplica ao leitor - Cotas Raciais

Esse post é uma reposta a um e-mail que recebi de um amigo, Rafael Ferraz. Então caso não tenha visto o primeiro topico, da um pulo aqui, é essencial ter lido o texto original pra entender o debate.
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Olá Sadeck, primeiramente gostaria de saudá-lo pela decisão de finalmente começar o seu blog e espero sinceramente que você não o deixe morrer, pois tenho fé que tens muito que contribuir com o público em geral. Mas anyway... hoje você fez esse post muito bem escrito, no qual não concordamos em nada, então vamos a argumentação:
R:
É um prazer debater com gente sensata, e muito obrigado pelo feedback.

1 – para começar há um aspecto que você não deu a devida importância no primeiro argumento: o de que nem todos os anos de estudo tem a mesma importância na aprovação no vestibular, em especial os últimos anos tem uma importância a mais em relação aos anteriores, afinal, todos que fizemos vestibular vimos alunos que nunca mostraram algum brilhantismo sendo aprovados, enquanto outros, ditos preferidos, ficando para o cursinho (ainda que seja raro) então, eu não diria que um acontecimento decorrido ao longo dos primeiros anos de escola vá afetar tão significativamente o desempenho de um aluno no ultimo ano.

R:
Nem todos os anos tem a devida importância, o ultima na verdade vale muito mais, concordo com isso, entretanto esse não é o ponto. Só citei sobre os 18 anos de formação porque é muito intuitivo pensar que o racismo não vai atrapalhar os estudos, o ato de estudar, afinal, ninguém vai entrar no seu quarto e te impedir de ler livros, resolver exercícios e etc. No próximo item comento melhor onde eu quis chegar.

2 – outra possível falha foi o uso do termo “depressão”, pois bem, aqui vai a definição de depressão segundo o Dr. Dráuzio Varella:
"(...)uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite." (VARELLA, Dráuzio. Depressão.http://drauziovarella.com.br/letras/d/depressao/)
Sim, eu acredito que o racismo possa causar esse efeito, mas não creio que ele seja tão comum ao ponto de justificar a criação de cotas para corrigi-lo, e mesmo que fosse, esta não seria a melhor solução.
R: 
Talvez exista uma diferença na sua percepção do racismo para minha, eu vejo uma evolução muito grande na forma de ver o bullying e a depressão, antes o censo comum chamava de frescura e pronto, agora já existe uma maior compreensão das nuances, ao passo que o a vítima de racismo ainda é frequentemente acusada de coitadíssimo. Falei de depressão justamente para causar impacto e por seus efeitos e prejuízos a vida social ser do conhecimento comum, queria exemplificar como algo não diretamente relacionado aos estudos o afeta.

Na minha percepção, o racismo causa sim grave prejuízo social. É algo tão intrínseco a nossa cultura que realmente é difícil notar seus reais efeitos; algo que gosto de citar é a falta de referencial que o negro sofre, afinal, a elite intelectual brasileira é predominantemente branca, o que pode causar uma ideia de não pertencimento desse escalão social, essa simples falta de identidade já impulsiona a exclusão social, é um obstáculo que os privilegiados não possuem.

 Cota não é um sistema ideal perfeito, concordo que é falho, mas é viável.


Imaginemos agora que o âmbito acadêmico do termo “depressão” foi desprezado, e que você quis simplesmente dizer “abalo emocional”. Neste caso, outras classes também deveriam entrar no sistema de cotas. Veja bem, existem pessoas seriamente abaladas por serem gordas, por falta de habilidade em esportes, por não saber o paradeiro do pai ou por outros fatores que podem inclusive se somar ao ponto de se tornarem mais graves que certas proporções de racismo, e portanto, nesses casos estas pessoas deveriam ser amparadas por uma cota também.

R: 
Confesso que a primeira vez que me deparei com esse argumento fiquei sem resposta, é bem pertinente. Eu uso um conceito que não tenho certeza se roubei de algum lugar ou criei, de qualquer forma, chamo de Carga social. Alguns problemas possuem cargas sociais maiores que outros, ou seja, alguns têm maior efeito na sociedade, tanto pela gravidade quanto pela quantidade. O problema racial possui uma enorme carga social.

 É bem difícil mensurar isso, mas existem alguns indicadores na sociedade tal como a situação estatística. É uma desproporção absurda quando comparamos o numero de habitantes negros e sua correspondência na hierarquia social, mesmo levando em conta a condição econômica. Confesso que o ideal seria eu apresentar os dados exatos, mas acredito ser possível contar com sua boa vontade e percepção de realidade. 

Provavelmente você só quis usar o sobrepeso como exemplo de um problema que se enquadra no meu argumento, então não vou contestar diretamente essa característica ate porque ela é medicamente ruim para a sociedade e , ainda mais importante, é mudável. O que quero apontar aqui é algo que concordamos: O sistema de cotas não é perfeito. Alguns desses problemas são possíveis ações pontuais que acredito serem mais efetiva, porém, mais importante do que tudo que disse agora, a ação afirmativa cotas raciais não é sobre tornar o processo seletivo da faculdade mais justo, é sobre corrigir uma falha social.

Cada grupo desprivilegiado é desprivilegiado de forma diferente, se o problema social for a má distribuição na hierarquia e ações pontuais não forem viáveis, como o caso dos negros, eu acho ok as cotas para esse grupo, afinal, a faculdade serve como mola social e nesse caso seria apenas um instrumento e não o objetivo.

3 – Sobre esse ponto da facilidade/dificuldade para arrumar emprego há uma questão que ficou difusa. Se o que você falou for verdade, então o mais justo seria que todos os empregos, públicos e privados tivessem um sistema de cotas. Do frentista de posto de gasolina ao procurador da república, pois do contrário os negros com curso superior enfrentariam o mesmo problema, mas na esfera das pessoas COM nível superior (eles se formariam, mas na hora de procurar emprego em sua área os brancos ainda seriam preferidos).

R: 
Eu meio que já respondi no item anterior, as cotas não são para resolver o problema diretamente. Conforme minha compreensão da sociedade, esses problemas vão ocorrer de imediato, mas conforme os negros crescem na escala social menor se tornará o preconceito. Reforçando, a cota não tem como objetivo final fazer um negro se formar e conseguir um bom emprego, mas sim mudar a condição social tal como a visão da sociedade com esse grupo.


4 – A respeito do uso do termo “opressão”: nossa sociedade NÃO é opressora. Sim, os brancos têm de fato mais privilégios que os negros, mas atualmente a maioria branca NÃO abraça o racismo, muito pelo contrário, o racismo é visto com maus olhos pela parte majoritária da sociedade. Fazendo um pequeno exercício social, ao ver uma situação de racismo corriqueira, imagine quantas das pessoas que você conhece se manifestariam a favor? Quantas se manifestariam contra? Tenho certeza que o número foi bem diferente. Só pra garantir, não estou dizendo que nossa sociedade é igualitária, apenas que também não é opressora.

R: 
Agora sim tenho certeza que enxergamos o racismo de forma diferente, o fio da miada está nessa pergunta: “ao ver uma situação de racismo corriqueira, imagine quantas das pessoas que você conhece se manifestariam a favor? Quantas se manifestariam contra? Tenho certeza que o número foi bem diferente.” Já falei a cima disso, mas vou me aprofundar um pouco agora, o racismo não é só ataque explicito! Nossa sociedade é extremamente opressora nos mínimos detalhes, muita vezes nem se percebe. Sabe aquele famoso comentário sobre não ser racista, pois tem amigo negro? Então, é um perfeito retrato da compreensão do nosso racismo, preconceito não é sobre não conseguir se relacionar com um grupo ou xingar uma pessoa, isso já é estupidez em excesso.




Na verdade, não é por que não existe apoio publico a uma atitude que não significa que a sociedade não a tolera e pratica, ou será que 80% das vitimas de assassinato são negras simplesmente por problema econômico?

Opressão não é apenas holocausto. Por que uma pessoa branca é bonita e um negro é um negão bonito? Viver em uma sociedade em que você não é normal, conforme o pensamento dominante, é opressor.




5 – O fato de ser uma medida afirmativa ou temporária não muda o fato de que não é uma medida eficaz (ou que só é eficaz pra aumentar o número de minorias étnicas na universidade, sem diminuir o pré-conceito e servindo de argumento inclusive para incitá-lo). Nós sabemos que o governo brasileiro é mestre em tapar o sol com a peneira, e já vimos várias medidas “temporárias” se tornarem prejuízos consideráveis em longo prazo (vide bolsa família, auxílio reclusão...). O problema da inserção do negro na sociedade poderia ser trabalhado de outras formas bem mais justas do que deixar certos indivíduos de fora da universidade, uma informação bem fácil de achar é que 3 a cada 4 crianças matriculadas até o quinto ano estudam em escolas públicas, assim o governo tem todo o espaço amostral que precisa pra fazer quantas campanhas humanitárias quiser para difundir a igualdade. Aliás, mesmo antes das cotas entrarem em vigor, o número de negros nas universidades já estava aumentando, como mostra esta imagem do notíciasterra, mas cuja fonte é o IBGE(lembrando que as cotas passaram a valer em  todas as universidades a partir de 2012):


R:
 O objetivo é aumentar a normalidade, inserir os negros em todas as escalas sociais e o ensino superior é o instrumento, nesses termos parece-me eficaz.  Mais uma vez, as cotas não são perfeitas, mas bem razoáveis e viáveis. Ninguém discorda que a solução final é extinguir o preconceito e ter ensino publico de alta qualidade, quando se fala de ações afirmativas é a busca por mudanças a curta e médio prazo.

Os dados apresentados são um ótimo argumento, ainda que fosse de mais valia separar pretos e pardos e saber os critérios.  Vale também ressaltar que os brancos também tiveram aumento significativo, então a proporção não mudou tanto. Além da validade e realidade desses dados, será que intensificar o processo a custa de 1 ou outra vaga de alguém que terá mais oportunidades é ruim? Se quisermos melhorar a sociedade cada grupo terá que abrir mão de seus privilégios.

Por fim vale comentar essa pesquisa sem fonte da IstoÉ, que usa casos pontuais para tentar estabelecer uma “regra”. A tal pesquisa diz que 90% dos professores de 4 universidades federais afirmam que as cotas não fomentam o racismo. Para começar, não seria mais conveniente fazer esta pesquisa com os alunos em vez de com os professores? Quem já estudou em uma universidade federal sabe que a atenção que a maioria dos professores tem com os alunos não pode ser dita “especial”, e a própria lógica mostra que quando a disputa pelas vagas se torna segregativa, com um ou outro grupo étnico recebendo privilégios (uma porcentagem das vagas garantida é indiscutivelmente um privilégio) em detrimento dos demais grupos o próprio racismo está sendo fomentado (embora não hajam, ou eu apenas não encontrei dados suficientes para dar uma perspectiva panorâmica a isso). Isso vai contra o sonho de um dos meus ídolos pessoais, Luther King que sonhava com um mundo onde as pessoas não fossem julgadas pela cor da pele, mas pela firmeza do caráter.

R: 
Vagas de deficiente são privilégios? Isso incita o ódio? Eu entendo seu ponto, de verdade, mas não concordo. Minha resposta a esse item esta dissolvida por todo texto, então gostaria de concluir com um pensamento: Tratamento igual aos iguais. Até lá, o nosso ídolo vai ter que esperar. 


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A ideia aqui é criar um dialogo, você pode usar a caixa de comentário a baixo ou mandar um e-mail para lucassadecks@hotmail.com. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cotas raciais, não é sobre você e sua vaga na faculdade.

Uma pessoa negra obtêm nota menor no processo seletivo, mas consegue a vaga devido o sistema populista e demagógico denominado cotas raciais, isso não é certo, afinal:  É preconceito reverso! Negros tem a mesma capacidade de um branco! Meritocracia é justa, um negro pegar minha vaga sabendo menos não!.

Parece simples, logico e correto ser contra cotas raciais, para alguns menos radicais a cota social faz mais sentido e resolve o problema. Infelizmente essa questão esta longe de ser superficial e ter um resposta exata, vamos analisar alguns dos principais argumentos:


O processo seletivo universitário é meritocrático, quem se esforça consegue.






O problema aqui é achar que a unica limitação é a capacidade, pensar que a prova é a mesma e a capacidade também, logo, o jogo é o mesmo. O jogo ate pode ser o mesmo, mas as condições iniciais e as regras não, falar de meritocracia quando não existe igualdade é piada. A lei não diz que negro é menos capacitado que brancos, só tenta corrigir uma desigualdade social.

Isso é pro seu própio bem. Not./ Off. Ei./ Puft, puft. Sai de cima de mim./ Phey. Ja deu, Ja deu, estou me levantando./ Eu realmente sinto muito por ter sido racista antes, agora eu entendo melhor./ Tudo bem, agora me da uma ajudinha aqui, de boa?. Claro que não, isso seria racismos reverso, olhe, eu cheguei aqui sozinho, por você não pode?


O processo de avaliação não se resume a prova, não avalia somente um ano de estudo e sua dedicação, o que está em pauta é a formação de, em media, 18 anos de um indivíduo. Parece difícil compreender como o racismo pode atrapalhar o estudo de alguém, a kkk não vai bater na porta do negro e fazer ele parar de estudar, mas essa limitação é por vermos o racismo apenas quando é expresso em forma de ataques, ofensas e ate agressão. O racismo é sutil, está implícito no nosso comportamento social e afeta a pessoa em todas as esferas da sua vida: Pessoal, social e econômica. O estudo não se cingi ao âmbito acadêmico, uma pessoa em depressão pode, e provavelmente vai, ter seu aprendizado prejudicado por fatores externos.


Cotas sociais resolvem. A maioria pobre é negra, o problema não é ser negro, é ser pobre.


video

 

Esse argumento é forte, mas possui falhas. O preconceito racial independe da condição econômica, quando um branco não faz curso superior ele provavelmente vai conseguir um emprego razoável, já um negro vai encontrar mais dificuldades, as opções mudam conforme a etnia. Uma mesma renda não garante mesmo tratamento, muito menos mesmas oportunidades, brancos possuem um privilegio que o coloca a frente, seu grupo é o grupo dominante e opressor.

O sistema de cotas raciais não é compensação histórica, o Brasil é um pais extremamente miscigenado, é impossível separar por etnia levando em conta os antepassados. Racismo no brasil é sobre a cor da pele, o visual, então não convêm falar das cotas e questão genética.  Sofre-se prejuízo social por ser escuro.

A utilidade da reportagem é: Falar de questões biologias no racismo brasileiro é inútil



O assunto não é a faculdade

Cotas raciais é uma ação afirmativa, são medidas temporárias com a função de eliminar desigualdades. As universidades são apenas instrumentos, busca-se por meio acadêmico inserir negros na sociedade de modo igualitário, então o simples fato de termos mais negros andando pelos campos das ufs da vida já é de certo modo um lado positivo. A elite intelectual é majoritariamente branca, não acho necessário colocar dados aqui, afinal, é a realidade vista por todos no dia a dia.



Os argumentos contra-cotas em grande parte desconsidera a real finalidade delas e foca no famigerado e supervalorizado ensino superior (Isso aqui é assunto para outra hora), pouco importa você e sua vaga, o objetivo aqui é maior: Uma sociedade mais igual. 

Então precisamos sacrificar o nosso setor acadêmico? Não! Diferente do que muitos pensam, os estudantes cotistas estão se saindo muito bem, como mostra a IstoÉ: